Bianca Martone
São muitas as discussões a respeito dos métodos para alfabetização ao longo da história. Verifica-se que sempre que surge um novo método, com novos paradigmas e conceitos, este se apresenta, na maioria das vezes, como opositor ao anterior, que seria ultrapassado e ineficaz. Não se reconhece a contribuição dos métodos anteriores ao desenvolvimento do próprio método novo 1. No passado, a discussão era entre os métodos sintéticos e analíticos, enquanto hoje está sendo entre fônicos e construtivistas.
Método, segundo Magda Soares 2, “é a soma de ações baseadas em um conjunto coerente de princípios ou de hipóteses psicológicas, linguísticas, pedagógicas, que respondem a objetivos determinados. Um método de alfabetização será, pois, o resultado da determinação dos objetivos a atingir (que conceitos, habilidades, atitudes caracterizarão a pessoa alfabetizada?), da opção por certos paradigmas conceituais (psicológico, linguístico, pedagógico), da definição, enfim, de ações, procedimentos, técnicas compatíveis com os objetivos visados e as opções teóricas assumidas."
Os métodos de alfabetização podem ser divididos em métodos sintéticos, que compreendem os métodos (i) alfabético, (ii) fônico e (iii) silábico e os métodos analíticos, que compreendem os métodos de (iv) palavração, (v) sentenciação, (vi) global de contos, (vii) natural e (viii) imersão. 3 e 4
Vamos apresentar de forma breve e sucinta, a descrição dos principais métodos de alfabetização:
MÉTODOS SINTÉTICOS
(i) ALFABÉTICO: Apresenta-se ao aluno os nomes das letras, para depois montar as sílabas, as palavras, sentenças curtas, até se chegar as histórias completas. São utilizadas cartilhas ou apostilas, sendo criticado pornão aproveitar a bagagem anterior de cada criança;
(ii) FÔNICO: parte do som das letras edos fonemas, fazendo a relação entre som e escrita. Associa-seo som que as palavras fazem quando se fala e como são representados graficamente pelas letras. São ensinadas as vogais, depois as consoantes, as sílabas e as palavras. A crítica em relação a esse método é a dificuldade do nosso idioma, por causa de palavras com som igual e grafia diferente.
(iii)SILÁBICO: primeiro se aprende as famílias de sílabas de duas letras, depois as sílabas com três letras, para, depois, evoluir para as palavras, frases e textos.
MÉTODOS ANALÍTICOS
(iv) PALAVRAÇÃO: o aprendizado começa pelas palavras, evoluindo para os sons, as sílabas, as letras etc. Vai do maior (palavra), para o menor (letra);
(v)SENTENCIAÇÃO: segue a mesma lógica da palavração, mas a unidade inicial é a sentença, ou seja, o aprendizado se inicia por frases inteiras.
(vi) GLOBAL DE CONTOS: também conhecido como método de histórias ou contos, apresenta primeiro estruturas de textos com começo, meio e fim, para que o aluno a vá decompondo com o passar do tempo;
(vii) NATURAL: a diferença entre este e o global, é que o global privilegia a leitura e o natural, a escrita, partindo de palavras conhecidas para a elaboração de textos, sendo substituídos por desenhos, quando não se conhece a grafia;
(viii) IMERSÃO: este método acredita que a criança aprenderá a ler e escrever quando estiver imersa no mundo da escrita, aprendendo espontaneamente em face de situações e atividades reais de leitura e escrita.
As abordagens pedagógicas geralmente utilizadas no Brasil misturam elementos de vários destes métodos, não ficando restrita a apenas um deles. Nesse sentido, Magda Soares 5, defende que é preciso vários métodos para alfabetizar, não havendo como “reduzir a complexidade do processo a um método, se você entende método como modo de agir alicerçado em fundamentos teóricos. No caso da alfabetização, fundamentos psicológicos – psicologia do desenvolvimento, cognitiva, no que se refere à criança – e fonologia, psicolinguística, sociolinguística, no que se refere ao objeto.”
Desta forma, podemos concluir que nenhum método de alfabetização deve ser considerado ineficaz, pois todos têm sua contribuição a dar, devendo o professor mesclar e aperfeiçoar sua técnica, refletindo e avaliando o que melhor se encaixa ao aluno, pois mais de um deles pode funcionar ao mesmo tempo.
NOTAS E REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
1. MORTATTI, Maria Rosário Longo. História da Alfabetização no Brasil.
2. SOARES, Magda. Alfabetização e Letramento. 7°edição – São Paulo: Contexto. 2018, p. 124/125.