quarta-feira, 22 de maio de 2019

Método de alfabetização na prática.





Fotos tiradas utilizando a alfabetização, em método construtivista.






fotos com todos os direitos reservados.

Link de direcionamento.

Segue link abaixo, para por em prática leituras feitas dos textos descritos na time line.

Quizz da prática de aprendizagem

Alfabetização no Método Montessori

                                                                                    Liliany Oliveira

O estagio de observação é uma oportunidade de ver na prática toda a teoria ensinada na Universidade. Meu estágio na educação infantil foi realizado na Prima Escola Montessori. Na situação observada ao notar que a aluna se interessava pela letra cursiva a professora fez uma demonstração de um novo material, neste a professora ensina que ela deve passar o dedo pela textura, em formato de letra, fazer a mesma letra na forma com farinha , e no papel com o lápis. O trabalho é realizado apenas com a aluna e nota-se a concentração na atividade, uma vez que a iniciativa pelo assunto partiu da aluna.

Em Montessori as salas são divididas em agrupamentos, o agrupamento III onde as crianças de 3 a 5 anos estão, realiza essa parte do trabalho de introdução à alfabetização, trabalhando concentração, coordenação e interesse. A professora Cecilia que já tem mais de trinta anos na profissão e dentro do método, afirma que é praticamente impossível a criança chegar aos 6 anos sem ter demonstrado nenhum interesse pela escrita e leitura. De acordo com ela trata-se de uma curiosidade que é alimentada pela quantidade de estímulos que ela recebe do ambiente, ao ter os materiais em seu alcance e poder evoluir de acordo com seu ritmo, sem ficar fadada as mesmas atividades até o final de um determinado período. O trabalho começa com atividades de Vida Pratica que são voltados para a autonomia e também trabalham movimentos de pinça, por exemplo. Desta forma a criança gradativamente vai evoluindo até onde seu interesse permitir. 

 A escola segue o BNCC ( Base Nacional Comum Curricular), como parâmetro e aplica as diretrizes em seus planos de aula de acordo com o método montessoriano, adaptado ao nosso pais e cultura.





Turma de Pedagogia da Universidade Anhembi Morumbi Visita C.E.D.O


O Centro Educacional Dom Orione - CEDO, núcleo das Obras Sociais Nossa Senhora Achiropita, atende a 360 crianças e adolescentes no contra turno escolar, com idade entre 6 e 18 anos. Essas crianças vêm de famílias de baixa renda e necessitam de um respaldo enquanto os pais trabalham, pois durante o dia ficariam sozinhas em casa ou soltas nas ruas em total vulnerabilidade.

No CEDO os jovens têm a oportunidade de obter conhecimento e prática com instrumentos de orquestra, coral, iniciação e teoria musical; esportes em geral; orientação nas atividades escolares; literatura; raciocínio lógico; artes e artesanato, entre outras atividades. Recebemtambém 2 refeições por período.
Nós alunas de pedagogia da universidade Anhembi Morumbi, fomos à escola acompanhadas pela professora Lucy Fernandes de Lima, que ministra a matéria de letramento e alfabetização na Universidade Anhembi, para conhecer o projeto e ver como é a interação das professoras e colaboradores com as crianças em relação a alfabetização. Eram mais ou menos 60 alunos com faixa etária entre 5 e 8 anos, que estavam nas salas e tivemos a oportunidades de ver como a professora interage em relação as orientações nas atividades escolares. Os alunos adoram estar lá, respeitam a professora, são crianças alegres, curiosas e muito participativas. Trata-se de um projeto muito bonito, vale a pena conhecer!.





















Fotos tiradas durante a visita, ao lado a atividade realizada pela aluna Ana Paula que esta na primeira série do ensino fundamental, tem 6 anos de idade e já escreve com facilidade nomes, através da pronuncia das letras. Ela disse que adora estudar e ajudar os amigos. Uma coisa muito bacana de observar, as crianças aceitam orientações, pedem ajuda quando precisam e interagem muito bem entre elas. Não há forma melhor de passar o tempo enquanto não chega o horário da escola!.

Dica de filme - O Aluno - Exemplo de inclusão e de vida


Maruge lutou pela liberdade de seu país, foi preso e torturado. Em 2003, após ouvir um comunicado do governo sobre um programa de “Educação para todos”, decidiu se matricular em uma escola primária. Na ocasião, Maruge tinha 84 anos. 
O filme “O Aluno” é baseado na história real de Kimani Maruge, que, com o sonho de aprender a ler e escrever, lutou para entrar e permanecer na escola acostumada a receber crianças. A história do idoso alfabetizado ao lado de crianças ganhou repercussão nacional e provocou a revolta de alguns moradores da região. Falecido em 2009, Maruge foi a pessoa mais velha a se matricular em uma escola primária, de acordo com o Guinness Book. Devido ao seu empenho e conquistas, o queniano foi convidado para fazer um discurso na sede da ONU, em Nova York, sobre o poder da educação.


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segunda-feira, 20 de maio de 2019

Parâmetros e últimas notícias sobre alfabetização.


                                                                                   Gabrielly Rocha  

No site do EBAH, existe um arquivo interessantíssimo sobre alfabetização de Verônica Pereira, ao qual o projeto tem nome de ‘PARÂMETROS EM AÇÃO’, segue abaixo a introdução sobre o mesmo:

Aos Professores e Professoras


com satisfação que entregamos às nossas escolas, por meio das secretarias estaduais e municipais de educação, o material do projeto PARÂMETROS EM AÇÃO, que tem como propósito apoiar e incentivar o desenvolvimento profissional de professores e especialistas em educação, de forma articulada com a implementação dos Parâmetros Curriculares Nacionais, dos Referenciais Curriculares Nacionais para a Educação Infantil e para a Educação Indígena e da Proposta Curricular para a Educação de Jovens e Adultos. A idéia central desse projeto é favorecer a leitura compartilhada, o trabalho conjunto, a reflexão solidária, a aprendizagem em parceria. O projeto está organizado em módulos de estudo compostos por atividades diferenciadas que procuram levar à reflexão sobre as experiências que vêm sendo desenvolvidas nas escolas e acrescentar elementos que possam aprimorá-las. Para tanto, utiliza textos, filmes, programas em vídeos que podem, além de ampliar o universo de conhecimento dos participantes, ajudar a elaborar propostas de trabalho com os colegas de grupo e realizá-las com seus alunos. A proposta do projeto PARÂMETROS EM AÇÃO tem a intenção de propiciar momentos agradáveis de aprendizagem coletiva e a expectativa de que sejam úteis para aprofundar o estudo dos Referenciais Curriculares elaborados pelo MEC, intensificando o gosto pela construção coletiva do conhecimento pedagógico, favorecendo o desenvolvimento pessoal e profissional dos participantes e, principalmente, criando novas possibilidades de trabalho com os alunos para melhorar a qualidade de suas aprendizagens. Desejamos a todos um bom trabalho.

Segue no final link do material completo que é de grande importância para a construção de saberes, e também PCN próprio do MEC.

Em uma reportagem de 2012 do O GLOBO, enfatizam que o MEC precisam definir parâmetros pois segundo eles:
 “O Ministério da Educação, o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa já recebeu a adesão de 19 estados e 3.300 municípios brasileiros. O programa prevê que os governos assumam o compromisso de alfabetizar as crianças até os 8 anos de idade, ao final do 3º ano do ensino fundamental (antiga 2ª série). Especialistas, porém, afirmam que falta definir melhor o nível de conhecimento esperado dos alunos em cada um dos três primeiros anos do ensino fundamental. E temem que, sem esta definição, alunos de escolas públicas sejam prejudicados.”


Logo depois veio a discussão e implementação do BNCC, mas o que é BNCC?

A Base Nacional Comum Curricular é um documento que define o que toda criança e todo jovem brasileiro têm direito de aprender. Após 4 anos de discussão e 3 versões diferentes, o documento para as etapas da Educação Infantil e Ensino Fundamental (1º ano ao 9º ano) foi aprovado (a etapa do Ensino Médio ainda está em discussão). A BNCC, que tem caráter normativo e obrigatório, servirá de referência para que as redes de ensino, públicas ou particulares, construam ou reformulem suas propostas curriculares, materiais pedagógicos, avaliações e políticas de formação de professores.

E para o ensino fundamental, a introdução da BNCC representa um avanço relevante frente às propostas curriculares hoje existentes e concretiza um passo significativo em três pontos importantes. O primeiro deles está em estabelecer uma orientação detalhada sobre quais devem ser as competências e habilidades essenciais que todo aluno brasileiro tem direito de aprender. O segundo ponto, ela atua como alavanca para redução das enormes desigualdades educacionais observadas entre regiões, sistemas e escolas e, por último mas não menos importante, tem o poder de induzir o fortalecimento e maior coerência entre as diferentes políticas educacionais de cunho pedagógico.


No dia 2 de Maio de 2019 o ministro da Educação, Abraham Weitraub, anunciou, que a alfabetização das crianças será avaliada por meio de amostra este ano. O exame havia sido cancelado completamente pela gestão do ex-ministro Ricardo Vélez Rodríguez. Depois de intensa repercussão negativa, já que a alfabetização é considerada etapa crucial para o desenvolvimento escolar do aluno, no entanto, o governo do presidente Jair Bolsonaro voltou atrás.

Até a última prova, feita em 2016, os exames de leitura, escrita e matemática tinham sido feitos para todas as crianças do terceiro ano do ensino fundamental. Agora, haverá uma amostra de escolas públicas e privadas e o ano avaliado será o segundo, ou seja, crianças de 7 anos e não mais de 8. Essa última mudança já havia sido pedida pelo governo anterior, de Michel Temer. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estipula que as crianças devem estar alfabetizadas até o fim do segundo ano.


Fontes: 

terça-feira, 14 de maio de 2019

Uso da Tecnologia na Alfabetização

                                                                                    Barbara Camurça     

Vivemos em uma era digital e não temos para onde fugir. A conectividade ultrapassa barreiras e faixas etárias. Crianças fazem rotineiramente uso de aparelhos tecnológicos como smartphones, tablets, notebooks e computadores. Já que não há mais saída, devemos nos aliar a essas novidades, recorrendo a aplicativos educativos para que as crianças possam usufruir do mundo tecnológico de forma saudável e se manter distante de perigos existentes na internet e de desenvolvimento de vícios.
A tecnologia na alfabetização é extraordinariamente benéfica para a aprendizagem, apresenta vantagens inquestionáveis, de modo que seja usada da forma correta e bem planejada.
Um ponto a se questionar é a formação de professores para o uso da tecnologia dentro da sala de aula, para que consigam encaminhar seus alunos e disfrutar dos benefícios trazidos por ela.
Os jogos digitais têm um papel fundamental durante o processo de alfabetização. Ao mesmo em que eles conseguem desenvolver a concentração, o raciocínio lógico e a colaboração entre as crianças, incentivam a leitura e a escrita. O ato de jogar exige uma movimentação mental e, em muitos momentos, a criança tem que colocar em prática o aprendizado adquirido para avançar pelas fases, testando hipóteses, explorando sua espontaneidade e criatividade. Os jogos não são apenas uma forma de divertimento, são meios que contribuem e enriquecem o desenvolvimento intelectual, construindo através da experimentação uma transição entre o mundo real e o mundo imaginário, além de favorecer a apropriação e interpretação dos recursos linguísticos primordiais a alfabetização.

APLICATIVOS QUE AUXILIAM NA ALFABETIZAÇÃO

Pampers Premium Care – destinado a crianças menores Com diversos recursos, o app ajuda a estimular os bebês na descoberta de sentidos. Assim, o aplicativo prepara os bebês para descobrir cores, palavras e movimentos.



Palmakids - é um aplicativo desenvolvido pelo Programa de Alfabetização na Língua Materna. O aplicativo é ideal para as crianças que estão em processo de alfabetização. O mais interessante do Palmakids é que a criança pode entrar no processo de alfabetização na língua portuguesa ou inglesa. 

Jogo das Palavras - é outro aplicativo extremamente funcional e didático. As crianças aprendem a ler e a escreve de uma maneira bem divertida e interativa.
O aplicativo consiste em um joguinho que mostra imagens e letras que corresponde às imagens. Assim, as crianças devem organizar as letras de uma maneira correta, em acordo com a imagem que elas veem na tela.

O Processo de Alfabetização nos Dias Atuais

                             
                                                                                                                     Laissa Trentino 

As últimas décadas representaram tempos de intensas mudanças na educação brasileira, inclusive no processo de alfabetização, a contar que se antes a criança entrava na escola aos sete anos de idade, cursando já a primeira série, e tinha nos dois primeiros anos de estudo o foco na aquisição da leitura e escrita, que, como já foi retratado anteriormente nesse trabalho tinha como características a soletração de letras e sílabas e o foco na oralidade, representados pelas cartas de ABC e pelos ditados de palavras, a partir da década de 90, sobretudo a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação- LDB 9394/96, a presença de crianças em creches e pré-escolas aumentou consideravelmente e posteriormente passou a se tornar obrigatória, sendo as creches oferecidas para estudantes de zero a três anos e a pré escola para aqueles de 04 e cinco anos (LDB 1996).
 Sem contar o fato de que o ensino fundamental que antes era de oito anos, passou a ser de nove anos, o que culminou na entrada das crianças nessa etapa do ensino de forma antecipada, aos seis anos de idade, contudo, contrário ao que acontecia antes, esse pequeno estudante já tendo passado pela educação infantil. O ministério da Educação- MEC, ao retratar o ensino fundamental de nove anos, cita o seguinte:

[...] podemos ver o ensino fundamental de nove anos como mais uma estratégia de democratização e acesso à escola. A Lei nº. 11.274, de 6 de fevereiro de 2006, assegura o direito das crianças de seis anos à educação formal, obrigando as famílias a matriculá-las e o Estado a oferecer o atendimento. (Brasil, 2007, p. 27)

No entanto, as mudanças não ocorreram apenas nos níveis de ensino, no que se refere a alfabetização, as modificações aconteceram também na forma como se passou a encarar essa etapa estudantil, que passou a ser objeto de estudo intenso por parte de professores e teóricos da educação.

A partir dos anos 80 os métodos sintéticos e analíticos passaram a ser questionados e uma nova forma de alfabetizar começou a ganhar força, principalmente com a chegada do construtivismo, que mesmo não sendo entendido inicialmente de forma correta por alguns educadores, trouxe um novo rumo à educação.

Soares (2003), cita a importância do construtivismo da seguinte forma:

...Trouxe uma significativa mudança de pressupostos e objetivos na área da alfabetização, porque alterou fundamentalmente a concepção do processo de aprendizagem e apagou a distinção entre aprendizagem do sistema de escrita e práticas efetivas de leitura e de escrita...

A criança passava a ser compreendida como um ser pensante e como tal não podia ser limitado a decorar palavras como se essas não tivessem significados, daí a necessidade de se pensar uma forma de alfabetizar os alunos de maneira que eles não somente decodifiquem as letras, sílabas e palavras, mas que entendam o que elas representam, o que elas notam.

O método notacional, que predomina nas escolas nos dias atuais tem como princípio norteador os estudos da psicogênese de Emília Ferrero e Ana Teberosky, além de sofrer influências de teóricos como Vygotsky e Piaget.

Ferrero e Teberosky (1999) nos seus estudos sobre a psicogênese da língua escrita, explicam a aprendizagem da criança por meio de níveis diferentes de estruturação do pensamento, criando hipóteses para aquisição da leitura e escrita de acordo com o nível em que se encontra. Para as autoras supracitadas, a criança passa por cinco níveis até ornar-se alfabético, relatando ainda que a passagem de um nível para outro depende do incentivo externo, seja na escola, principalmente advindos do professor ou dos colegas e em casa, por parte da família.

As pesquisas desenvolvidas em torno da alfabetização tem impulsionado nos últimos anos a implantação de programas desenvolvidos pelas Secretarias de Educação a nível municipal e estadual, assim como por parte do Ministério da Educação. Dentre esses programas pode-se citar o Programa de Alfabetização na Idade Certa- PAIC desenvolvido pelo estado do Ceará e reconhecido em todo país pela eficácia, influenciando inclusive a implantação do Plano de Alfabetização na Idade Certa- PNAIC desenvolvido pelo governo federal.

Contudo, é necessário deixar claro que um único método não é o suficiente para que o processo de alfabetização aconteça, muito menos ignorar métodos passados achando que esses não tem validade, o que se deve fazer é unir o que de melhor cada um possui e aplicar na prática de sala de aula, de modo que favoreça a aprendizagem das crianças.

É preciso também refletir as causas que levam as escolas brasileiras a terem tanta dificuldade em fazer com que suas crianças consigam se alfabetizar na idade propícia, o que é demonstrado em avaliações externas e pode ser facilmente presenciado nas séries finais do ensino fundamental, para, a partir daí buscar soluções.

Fonte: Brasil Escola


História da Alfabetização

História da Alfabetização 
                                                                                    Laissa Trentino
                                                                                                                                        
A História da Alfabetização, em nosso país, foi centrada na História dos Métodos de Alfabetização. A disputa entre esses métodos, que objetivavam efetivamente garantir aos educandos a inserção no mundo da cultura letrada, produziram uma gama de teorizações e tematizações acerca de estudos e de pesquisas a fim de investigar essa problemática.
Desde o final do Século XIX, a dificuldade de nossas crianças para aprender a ler e escrever, principalmente na escola pública, incitou debates e reflexões buscando explicar e resolver esses entraves. As práticas de leitura e de escrita ganharam mais forças no final desse século, principalmente a partir da Proclamação da República.
A educação nesse período ganhou destaque como uma das utopias da modernidade. Até então, nessa época, as práticas de leitura e escrita eram restritas a poucos indivíduos nos ambientes privados do lar ou nas “escolas” do império em suas “aulas régias”.
 Até o final do império, as “aulas régias” ofereciam condições precárias de funcionamento e o ensino dependia muito do empenho dos professores e dos alunos. Para a iniciação do ensino da leitura eram utilizadas as chamadas “cartas de ABC” e os métodos de marcha sintética, ou método sintético (da “parte” para o “todo”); da soletração (silábico), partindo dos nomes das letras; fônico (partindo dos sons correspondentes às letras); e da silabação (emissão de sons), partindo das sílabas.
Em 1876, em Portugal, foi publicada a Cartilha Maternal ou Arte da Leitura, escrita por João de Deus, um poeta português. O conteúdo dessa cartilha ficou conhecido como “método João de deus” e foi bastante difundido principalmente a partir do início da década de 1880. O “método João de deus”, também chamado de “método da palavração”, fundamentava-se nos princípios da lingüística moderna da época e consistia em iniciar o ensino da leitura pela palavra, para depois analisá-la a partir dos valores fonéticos.
Na primeira década republicana foi instituído o método analítico que diferentemente dos métodos de marcha sintética, orientava que o ensino da leitura deveria ser iniciado pelo “todo” para depois se analisar as partes que constituem as palavras. Ainda nesse momento, já no final da década de 1920, o termo “alfabetização” passou a ser usado para se referir ao ensino inicial da leitura e da escrita.
A partir da segunda metade da década de 1920, passa-se a utilizar métodos mistos ou ecléticos, chamados de analítico - sintético, ou vice-versa. Esses métodos se estendem até aproximadamente o final da década de 1970.
Já no início da década de 1980, foi introduzido no Brasil, o pensamento construtivista de alfabetização, fruto das pesquisas de Emília Ferreiro e Ana Teberosky sobre a Psicogênese da Língua Escrita. O Construtivismo não se constitui como um método, mas sim como uma desmetodização em que na verdade, propõe-se uma nova forma de ver a alfabetização, como um mecanismo processual e construtivo com etapas sucessivas e hipotéticas.
Nessa mesma época, foi constatado um número enorme de pessoas “alfabetizadas”, mas consideradas como analfabetos funcionais, que são as pessoas que decodificam os signos lingüísticos, mas não conseguem compreender o que leram. Surge então o termo “letramento”. Estar letrado seria então, a capacidade de ler, escrever e fazer uso desses conhecimentos em situações reais do dia-a-dia. Alfabetizar letrando é de fundamental importância, pois garante uma aprendizagem muito mais significativa, afinal como afirma Soares (2004):

Alfabetizar letrando ou letrar alfabetizando pela integração e pela articulação das várias facetas do processo de aprendizagem inicial da língua escrita é sem dúvida o caminho para superação dos problemas que vimos enfrentando nessa etapa da escolarização; descaminhos serão tentativas de voltar a privilegiar esta ou aquela faceta como se fez no passado, como se faz hoje, sempre resultando no reiterado fracasso da escola brasileira em dar às crianças acesso efetivo ao mundo da escrita.

Atualmente vivenciamos uma crise de paradigmas, os métodos de abordagem tradicional e/ou tecnicista, já não dão conta do contexto atual e o Construtivismo, na maioria das vezes, continua sendo mal interpretado, incompreendido e utilizado de forma equivocada, isso quando utilizado. Portanto, entendo que um método ou uma perspectiva de desmetodização, enquanto teoria educacional funciona se há uma real fundamentação teórica e prática e se, relacionado a tal método ou desmetodização, estiverem uma teoria do conhecimento, além de um projeto político e social.      



terça-feira, 9 de abril de 2019

Consciência Fonológica


"Alfaletrar é um projeto que foi concebido pela professora Magda Soares da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 2006 e promoveu ações para alfabetização em todas as escolas da rede municipal de Lagoa Santa (MG). Hoje, com 97% das crianças alfabetizadas no 3º ano do Ensino Fundamental, esse trabalho é referência nacional. " 



sexta-feira, 5 de abril de 2019

Métodos de Alfabetização

Bianca Martone

         São muitas as discussões a respeito dos métodos para alfabetização ao longo da história. Verifica-se que sempre que surge um novo método, com novos paradigmas e conceitos, este se apresenta, na maioria das vezes, como opositor ao anterior, que seria ultrapassado e ineficaz. Não se reconhece a contribuição dos métodos anteriores ao desenvolvimento do próprio método novo 1. No passado, a discussão era entre os métodos sintéticos e analíticos, enquanto hoje está sendo entre fônicos e construtivistas.

         Método, segundo Magda Soares 2“é a soma de ações baseadas em um conjunto coerente de princípios ou de hipóteses psicológicas, linguísticas, pedagógicas, que respondem a objetivos determinados. Um método de alfabetização será, pois, o resultado da determinação dos objetivos a atingir (que conceitos, habilidades, atitudes caracterizarão a pessoa alfabetizada?), da opção por certos paradigmas conceituais (psicológico, linguístico, pedagógico), da definição, enfim, de ações, procedimentos, técnicas compatíveis com os objetivos visados e as opções teóricas assumidas."

         Os métodos de alfabetização podem ser divididos em métodos sintéticos, que compreendem os métodos (i) alfabético, (ii) fônico e (iii) silábico e os métodos analíticos, que compreendem os métodos de (iv) palavração, (v) sentenciação, (vi) global de contos, (vii) natural e (viii) imersão. 3 e 4

Vamos apresentar de forma breve e sucinta, a descrição dos principais métodos de alfabetização:

MÉTODOS SINTÉTICOS

(i) ALFABÉTICO: Apresenta-se ao aluno os nomes das letras, para depois montar as sílabas, as palavras, sentenças curtas, até se chegar as histórias completas. São utilizadas cartilhas ou apostilas, sendo criticado pornão aproveitar a bagagem anterior de cada criança;
(ii) FÔNICO: parte do som das letras edos fonemas, fazendo a relação entre som e escrita. Associa-seo som que as palavras fazem quando se fala e como são representados graficamente pelas letras. São ensinadas as vogais, depois as consoantes, as labas e as palavras. A crítica em relação a esse método é a dificuldade do nosso idioma, por causa de palavras com som igual e grafia diferente.

(iii)SILÁBICO: primeiro se aprende as famílias de sílabas de duas letras, depois as sílabas com três letras, para, depois, evoluir para as palavras, frases e textos.

MÉTODOS ANALÍTICOS

(iv) PALAVRAÇÃO: o aprendizado começa pelas palavras, evoluindo para os sons, as sílabas, as letras etc. Vai do maior (palavra), para o menor (letra);
(v)SENTENCIAÇÃO: segue a mesma lógica da palavração, mas a unidade inicial é a sentença, ou seja, o aprendizado se inicia por frases inteiras.

(vi) GLOBAL DE CONTOS: também conhecido como método de histórias ou contos, apresenta primeiro estruturas de textos com começo, meio e fim, para que o aluno a vá decompondo com o passar do tempo;

(vii) NATURAL: a diferença entre este e o global, é que o global privilegia a leitura e o natural, a escrita, partindo de palavras conhecidas para a elaboração de textos, sendo substituídos por desenhos, quando não se conhece a grafia;

(viii) IMERSÃO: este método acredita que a criança aprenderá a ler e escrever quando estiver imersa no mundo da escrita, aprendendo espontaneamente em face de situações e atividades reais de leitura e escrita.

As abordagens pedagógicas geralmente utilizadas no Brasil misturam elementos de vários destes métodos, não ficando restrita a apenas um deles. Nesse sentido, Magda Soares 5, defende que é preciso vários métodos para alfabetizar, não havendo como “reduzir a complexidade do processo a um método, se você entende método como modo de agir alicerçado em fundamentos teóricos. No caso da alfabetização, fundamentos psicológicos – psicologia do desenvolvimento, cognitiva, no que se refere à criança – e fonologia, psicolinguística, sociolinguística, no que se refere ao objeto.”


Desta forma, podemos concluir que nenhum método de alfabetização deve ser considerado ineficaz, pois todos têm sua contribuição a dar, devendo o professor mesclar e aperfeiçoar sua técnica, refletindo e avaliando o que melhor se encaixa ao aluno, pois mais de um deles pode funcionar ao mesmo tempo.

NOTAS E REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

1. MORTATTI, Maria Rosário Longo. História da Alfabetização no Brasil.

2. SOARES, Magda. Alfabetização e Letramento. 7°edição – São Paulo: Contexto. 2018, p. 124/125.

3. Vide matéria da Revista Crescer, que apresenta de forma suscinta a descrição dos principais métodos de alfabetização, disponível em: https://revistacrescer.globo.com/Criancas/Escola/noticia/2016/02/alfabetizacao-conheca-os-metodos-sinteticos-e-analiticos.html

4. Revista Letra A – O jornal do alfabetizador, Belo Horizonte, março/abril 2013 – Ano 9 - n°33, p. 8/11, disponível em: http://www.ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/files/uploads/JLA/2013_JLA33.pdf

5. Revista Educação, outubro 2016 - Edição 233, disponível em: http://www.revistaeducacao.com.br/e-preciso-ter-varios-metodos-para-alfabetizar-afirma-especialista/

domingo, 24 de março de 2019

Causas Emocionais Podem Atrapalhar a Alfabetização

                                                                                                                 Liliany Oliveira

Alfabetização é um dos principais desafios da Educação Básica brasileira. Dados da Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA) mostram que mais da metade dos alunos do 3º ano do Ensino Fundamental da rede pública têm níveis de leitura considerados insuficientes. Um dos fatores dessa defasagem é a diferença entre os próprios alunos. Ao mesmo tempo em que muitas crianças têm facilidade no aprendizado, outras têm dificuldades que vão além do que é tratado em sala de aula. Fatores como o contexto familiar, o histórico de vida e questões emocionais podem ser barreiras na alfabetização.
Segundo a doutora em educação e coordenadora do curso de Pós-Graduação em Psicopedagogia Institucional e Clínica da Universidade Positivo, Liliamar Hoça, todas as crianças são capazes de aprender, porém, não da mesma maneira. Para observar quais alunos têm dificuldades e/ou limitações emocionais, a professora cita algumas características que podem servir de indicativos, como: condutas evitativas na realização de atividades, baixa tolerância à frustração, problemas de coordenação visomotora, dificuldade de socialização, dificuldade de planejamento, organização e memorização de conceitos, desenvolvimento tardio da linguagem oral, dificuldade em direcionar atenção para atividades próprias da infância e do processo de escolarização, choro constante sem motivo aparente, evasão de atividades orais e insegurança excessiva.
Para superar essas dificuldades, Liliamar propõe uma avaliação inicial a fim de considerar se a criança apresenta alguma dificuldade específica e, posteriormente, desenvolver habilidades necessárias para a aprendizagem efetiva - e não focar somente no momento de aprender. "O professor precisa discutir adequações metodológicas, e a escola, como um todo, necessita propor projetos diferenciados que possam colaborar no desenvolvimento de habilidades necessárias para a aprendizagem escolar. Trabalhos com estimulação da linguagem oral e escrita, raciocínio lógico matemático, e a exploração de habilidades de atenção, memória, percepção e imaginação são muito úteis", diz a especialista. Segundo ela, é preciso levantar as habilidades que essa criança já desenvolveu ou está em desenvolvimento, o que ela gosta de fazer - pintar, recortar, jogar -, e propor outras alternativas em sala de aula.
Liliamar também alerta que os traumas que o aluno pode trazer consigo podem influenciar a aprendizagem e, em geral, atingem o emocional e até o biológico da criança. "A família tem um papel preponderante, pois precisa comunicar a escola, ser parceira e conversar com os gestores da instituição para buscar ajuda especializada", orienta, além de lembrar que a ajuda de profissionais especializados é importante, mas a maior ajuda poderá vir do professor, que pode modificar as atividades em benefício do estudante e colocar a criança em evidência positiva.
Foi o que aconteceu com Rafael Koswoski Neutzling, de apenas 7 anos e aluno do 1º ano do Colégio Positivo Júnior, em Curitiba. Rafael apresentava dificuldades frequentes em participar das aulas, chorava com facilidade e acabava por não conseguir evoluir na alfabetização no mesmo ritmo que os colegas de turma. "Fizemos um acompanhamento com ele e os pais e descobrimos que a avó, a qual ele era muito próximo, havia falecido. A partir daí oferecemos acompanhamento, carinho e atenção e ele passou a demonstrar maior confiança na escola", conta a gestora educacional de Rafael, Patrícia Beltrão. Segundo ela, o suporte emocional fez com que ele se sentisse mais confortável, amenizando o sofrimento da perda e deixando com que ele fizesse uso das habilidades que já tinha, mas estavam bloqueadas pelas emoções.
Além do apoio emocional, para aprender especificamente conteúdos e conceitos do currículo escolar também são necessárias determinadas habilidades e organização. A gerente de produto da Editora Positivo, Damila Bonato, responsável pelo programa de letramento e alfabetização Letrix, conta que o material didático deve ser um suporte para o trabalho pedagógico e não a única fonte de consulta ou de trabalho para os estudantes e para o professor. "Ele precisa abrir possibilidades de investigações. As escolas possuem, em geral, uma mesma estrutura e, dependendo do transtorno de aprendizagem, é preciso pensar como essa estrutura pode colaborar com o aprendizado. Por exemplo, crianças com autismo necessitam da rotina - mudanças na organização do ambiente são complicadas para elas", explica. Damila ressalta que, em casa, a organização do tempo e do local de estudo é importante para qualquer criança.

Fonte.Terra Notícias

“A alfabetização é mais, muito mais, que ler e escrever. É a habilidade de ler o mundo, é a habilidade de continuar aprendendo e é a chave da porta do conhecimento” Paulo Freire.